para uma sintomatologia de nossa culpa
(sobre um poema de Lia Carneiro Silveira)
(sobre um poema de Lia Carneiro Silveira)
[ela]
bate portas que a aprisiona a
vida,
[suas dignidades]
resiste a vestir roupas beges
[que a condena a ser bicho]
fala aos berros que é dona do
mundo
[o desejo de todos ali]
inundou o seu mundo restrito
[por saudade da praia!]
é medica, artista, rei, homem-mulher
[e só pegou uma bicicleta!]
[eles]
a
trancafiaram
a
endoideceram
a
deixaram sem colchão
sem
banho e sem pão
sem
esperança e consolação
[só por ela ser]
o espelho de nós sem razão
a coragem do desejo de nossa
frustração
a resistência a esse mundo de cão
deram-lhe
DIAZEPAN
ofereço-lhe
DIAZEPÃO.

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