domingo, 20 de dezembro de 2009

METÁSTASE (Serenade philosophiques)



isso que se chama homem, sujeito, pessoa, ser, não existe. como não mesmo existo, ou existe coisa alguma. essencialmente somos fadados à inexistência, mas preferimos a ignorância! eu sou o Outro, mas o outro só existe por mim. minha palavra não é minha, nem minha luz, minha idéia e, no entanto, sou dono de mim. os lingüistas já sabiam disso e nos tardaram a nos contar. os psicanalistas também. sou travessão. travesseiro. (trans)versão e a transgressão do sentido da letra que me parte ao meio e me engana. minha identidade. meu caro freud, meu pobre pecheux! sou metástase do Outro e todavia eu mesmo. minha voz é de quem me cria - todos os vazios (trans)bordantes. sou metástase da voz, da letra e do sentido. sou metástase do sonho não vivido, sou metástase do Outro que jaz inscrito den´de mim. oh. deus, que será de ti se eu morrer?*

*De Rilke

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